Falando em instituições que não funcionam....

Vocês devem ter lido que, voltando de Seul, a presidente eleita, Dilma, mudará, de mala e cuia para a Granja do Torto (se não viu, leia aqui).

Há um pequeno detalhe nessa operação: Dilma foi eleita, mas ainda não foi empossada. No momento, não é funcionária pública, servidora pública, não é nada.

Até 1º de janeiro de 2011, ela pode morar lá tanto quanto eu, o Sr. Ninguém.

E aí, "Instituições da República"? Alguém vai tomar alguma providência ou deixarão que ela ocupe - a que título? - a Granja do Torto antes de legalmente permitido? Alguém se manifesta? Alô, oposição?? Tem alguém aí?

Verdadeiramente chocante

Escândalos decorrentes de corrupção ou incompetência não me "escandalizam" mais... Há muito tempo.
Desculpas esfarrapadas ou a falta de satisfação de nossos desgovernados governantes à Nação, também perderam esse poder.
A inação de nossas "instituições"? Ainda me causa alguma revolta - afinal, são pagos (por nós) para trabalhar e não cumprem sua finalidade... mas não chegam a me chocar. Não mais.

Estou quase apático.Mas há uma coisa que ainda me choca, me faz sair desse estado de apatia: a idiotia coletiva que assola por essas plagas...

Depois da última palhaçada (ENEM), a um custo de R$ 6,191 milhões, com falhas as mais diversas, enquanto se discutia se a prova deveria ser ou não anulada (o que geraria novo custo de impressão, de armazenamento, de distribuição, de mão-de-obra, afora o deslocamento de milhões de estudantes, a ficarem mais um final de semana à disposição do MEC), enquanto se discutia quantos alunos foram prejudicados,  a incompetência do Ministro (que chegou ao absurdo de afirmar que não foi tão grande assim o número de alunos prejudicados), enquanto o MEC ameaçava os estudantes pelo Twitter (veja aqui), assisti perplexo a diversas manifestações criticando os "críticos".

Um jornalzinho, cujo nome sequer vou divulgar, voltado a comunidade jurídica (pasmem!!), a respeito do assunto chegou a questionar: "Será que não se está fazendo tempestade em caixa-d'água neste caso do Enem? Parece-nos que o fato mais grave da prova foi a troca dos títulos no cartão de resposta, que evidentemente causar confusão. De resto, parece blábláblá demais para pouca coisa."(!!)

Paralelamente, foi dado início a um movimento no Twitter: #apoiohaddad. Entre inúmeras idiotices, me deparo com frases como essas (e graças à Deus a rede só aceita 140 caracteres):

@katiaperuca: Ministro Haddad nocauteou pretensos donos do Brasil no BOM PIG BRASIL. Parabéns ministro!

@Icaruslf: O maior problema relacionado ao Enem são os estudantes.

@lohujs: Estudantes de todo País graças ao PIG voces irão fazer o ENEM de novo...  

@Elis_Moura: + um jogo político para prejudiciar o ENEM. Os bolsistas do Prouni que começaram 2 meses depois dos demais esse ano q o digam

@AntonioBrabo: Haddad é um nome que o PT tem para a eleição de 2014 a Prefeitura de Sampa. Desacreditá-lo faz parte dessa estratégia do PIG .

Não inventei as frases acima. Juro. É só buscar no Twitter. Estão lá. 

Quanto se assiste a um festival de sandices deste porte, não dá para acreditar que, tão já, o Brasil vá deixar de ser o eterno "País em desenvolvimento" e passar, efetivamente, a ser desenvolvido.

Inversão de valores instituída

Embora me pareça claro, acima de qualquer dúvida, que o MEC é o responsável pelos erros do ENEM, se alguém imagina algo diferente, leia a matéria da Veja sobre o assunto: Segundo edital, MEC é responsável por falha na impressão das provas do Enem.

Pois bem, apesar de ser absolutamente incompetente, responsável direto por erros que vem prejudicando os estudantes, anos a fio, agora que a inversão de valores (segundo a qual a vítima é sempre culpada) está instituída e cada vez mais, menos direito temos a "reclamar" sequer, o MEC está ameaçando, "por meio do Twitter oficial do órgão (@MEC_Comunicacao), processar estudantes que "tumultuaram" o Enem 2010 através da rede social. Com linguajar inapropriado, a assessoria de comunicação do MEC diz que está "monitorando" os candidatos: "Alunos que já 'dançaram' no Enem tentam tumultuar com msgs nas redes sociais. Estão sendo monitorados e acompanhados. Inep pode processá-los"."

É isso aí. A garotada já está pagando caro pela falta de visão dos 56 milhões de eleitores (além dos 29 que se abstiveram de votar).

Leia a íntegra do absurdo no Blog do Aleluia.  

E.T.: Lula não ia levar Haddad em sua comitiva para a África? Quando embarcam?

Dilma, o cofre e as indenizações

Muito oportuna a matéria publicada no Prosa & Política de Adriana Vandoni: Há algo de muito podre dentro do armário da nova presidente.

Volta (ou continua) a discussão de que teria ela sido (ou não) "barbaramente torturada" e se delatou ou não seus "companheiros".

O artigo informa: 

"O historiador o historiador Carlos Fico, da UFRJ e coordenador-geral  do Centro de Referências das Lutas Políticas no Brasil, criado pelo governo federal para reunir e divulgar os documentos secretos do regime militar anunciou a sua renúncia (3/11). A decisão, segundo ele, foi tomada depois que o Arquivo Nacional passou a negar para pesquisadores acesso aos acervos da ditadura “sob a alegação de que jornalistas estariam fazendo uso indevido da documentação, buscando dados de candidatos envolvidos na campanha eleitoral”." 

E esclarece que "o Arquivo Nacional é uma instituição brasileira ligada diretamente à Casa Civil, da Presidência da República, responsável pela gestão da produção documental da administração pública federal. Portanto quem está bloqueando as informações é a Casa Civil."

Há 10 dias atrás, evidentemente, o conteúdo dos arquivos era ainda mais relevante, necessário para uma eleição limpa, para se conhecer os candidatos. 
Lamentavelmente, o Poder Judiciário (STF e STM), acionados por Polibio Braga e pela Folha de São Paulo, como se sabe, não nos permitiram conhecer a então candidata e agora,presidente eleita. Nem em nome da democracia. 

A Ministra Carmem Lúcia, do STF, barrou o processo da Folha. O do Políbio ainda está na mesa do Ministro Marco Aurélio de Melo, também do STF. Não se sabe quando nem se, se dignará a apreciá-lo.

Mas a questão não perdeu a relevância.

No dia 3 de novembro, primeiro dia útil pós-eleição,  o Ministério Público Federal em São Paulo ajuizou ação civil pública contra quatro militares reformados. Eles foram acusados de participação na morte e no desaparecimento de, pelo menos, seis pessoas e de torturar 19 presos políticos detidos pela Oban (Operação Bandeirante ), montada pelo Exército no final da década de 1960, durante o regime militar. Na petição inicial, diversas páginas com citações "a casos de tortura contra a presidenta eleita Dilma Rousseff, presa e torturada em 1970" ajudam a embasar a ação.
A ação objetiva obter a responsabilização civil  (leia-se, indenização) dos envolvidos com violações de direitos humanos durante o regime militar. 
 
Paralelamente, há que se lembrar que a presidente eleita move um processo contra o País que irá governar pedindo "reparação econômica pelos anos de perseguição da ditadura e também contagem de tempo para aposentadoria." (nada demais, o atual presidente já recebe, há muitos anos, os frutos da ação que moveu contra o Brasil...) 
Em minha modesta opinião, necessário se faz, ainda, abrir o cofre.

Procura-se um partido político

Na postagem anterior mencionei que se, dependermos dos partidos que atualmente se autodenominam "de oposição", estamos fritos. Sugeri, ainda, a possibilidade de virmos a ter, antes de 2012, um partido forte, de real oposição.

O Coronel, do Coturno Noturno, nessa linha de raciocínio, fez uma colocação bastante feliz, sobre os anseios dos milhões de eleitores que votaram contra esse governo que aí está:

"...algo de muito importante está acontecendo na sociedade brasileira, que é muito fácil de definir: um enorme contingente de brasileiros e brasileiras estão procurando um partido político que tenha a sua plataforma muito clara, que não fique surfando nas águas das alianças fáceis e dos conchavos interesseiros. Este contingente não está nem aí para vencer ou perder eleições. Quer ver, antes de tudo, os seus valores defendidos com unhas e dentes, sem concessões. O partido político que tiver sensibilidade para "ler" o que está acontecendo no Brasil e começar um movimento organizado que incentive a base poderá ser premiado, muito antes do que imagina., com estrondosas vitórias nas eleições de 2012.  O que estamos vendo, hoje, é que existe um eleitorado de oposição no Brasil que, mesmo com alta capacidade de mobilização e ativação política, está completamente abandonado e só é convocado para virar  tropa de choque em época de eleições. Este eleitor quer ser mais do que isto. Quer e pode." (íntegra aqui).

Depois dessa colocação, que deixa clara, a meu ver, a nossa sensação de abandono,  nossa frustração por não sermos representados, pouco resta a dizer. 

Fica a questão: algum partido político se habilita?