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João Pereira Coutinho, tim-tim!!

Vi publicado no Se entrega Corisco! Eu não me entrego não

Me senti homenageado.


Os heróicos 3%

Passei meus últimos dias com a cabeça mergulhada no Brasil. As eleições, sim, as eleições: na TV ou nos jornais portugueses, a minha tarefa era explicar aos patrícios o que sucedia desse lado do Atlântico. Li muito. Escutei bastante. Perguntei idem.
Mas de tudo que li, escutei ou aprendi, nada me perturbou tanto como saber que Lula deixa o Palácio do Planalto com 82% de aprovação popular.
Minto: o que me impressiona não são os 82%; o que me impressiona são os 3% de brasileiros que desaprovam o governo Lula e que não embarcam no entusiasmo geral. Como são solitários esses 3%! E como são heroicos! É preciso coragem, e uma dose invulgar de realismo e sensatez, para não ser atropelado pela multidão desgovernada. Quem serão esses 3%? Gostaria de os conhecer, de os convidar para minha casa, de beber com eles à liberdade e à democracia. Vou repetir, quase com lágrimas nos olhos: 3%!
Não nego: Lula teve méritos econômicos evidentes. Arrancar 20 milhões da pobreza não é tarefa insignificante; e ter um país com crescimentos anuais de 6% ou 7%, enfim, uma miragem para quem vive na Europa. Se o Banco Mundial acredita que o Brasil será a 5ª economia do mundo no espaço de uma geração (obrigado, “The Economist”), Lula teve um papel nesse caminho. Mesmo que o caminho tenha sido preparado por Fernando Henrique Cardoso.
Mas quando penso nos solitários 3% que desaprovam Lula; quando penso nessa gente residual, marginal, divinal, penso em todos os casos de corrupção que abalaram os governos petistas e que seriam intoleráveis em qualquer país civilizado do mundo. Penso nos ataques e nos insultos que Lula desferiu contra a imprensa mais crítica. Penso na forma como Lula usou o seu cargo para, violando todas as leis eleitorais (e do mero decoro democrático), eleger Dilma Rousseff. E penso, claro, na política externa de Lula.
Sou um realista. Países democráticos não lidam apenas com democracias; por vezes, nossos interesses estratégicos ou econômicos exigem que sujemos as mãos com autocracias, teocracias, ditaduras e aberrações políticas. Mas devemos fazer isso com decoro; envergonhados; como um cavalheiro que frequenta o bordel e não faz publicidade de seus atos.
Os 3% que desaprovam Lula, aposto, desaprovam a forma indigna como ele elegeu Ahmadinejad seu amigo; como manteve relações amistosas com Chávez; como foi displicente perante os presos políticos cubanos.
Acompanhei as eleições brasileiras. Comentei-as. Escrevi a respeito. Mas, nessa hora em que Lula sai para Dilma entrar, os meus únicos pensamentos estão com os 3% que não perderam a cabeça e mantiveram-se à tona da sanidade.
Nessa noite fria de Lisboa, um brinde a eles! 
(João Pereira Coutinho)

Como fazer oposição?

Mais um texto magistral de Roberto Da Matta, que saiu no Estadão de hoje.
Vale o registro e a leitura.


Como ser oposição se um dia chegamos ao governo e, o poder é muito mais um instrumento capital para retribuir favores e não para tentar melhorar o mundo, servindo a este mundo? Se tudo se dividia entre nós e eles, mocinhos e bandidos, revolucionários e reacionários, vira de ponta-cabeça e agora "nós" somos "eles", como fazer? Normalmente, vamos por parte. Os mais próximos, primeiro; depois os outros e o que sobrar, vai para a sociedade. Mas o que ocorre quando a demanda igualitária aumenta e a mídia aproxima governo e governados, revelando suas incríveis proximidades? Mostrando como os hábitos ficam, embora a ideologia troque de lugar? Exibindo que, no fundo, todos são muito mais parecidos do que pensávamos? 

A resposta, amigos, se resposta existe, é que não pode haver oposição se não há uma efetiva diferença. Democracia tem truques, mas ela não suporta uma ética de condescendência, um espírito com dois pesos e medidas. 
 
Leia a íntegra aqui.

Procura-se um partido político

Na postagem anterior mencionei que se, dependermos dos partidos que atualmente se autodenominam "de oposição", estamos fritos. Sugeri, ainda, a possibilidade de virmos a ter, antes de 2012, um partido forte, de real oposição.

O Coronel, do Coturno Noturno, nessa linha de raciocínio, fez uma colocação bastante feliz, sobre os anseios dos milhões de eleitores que votaram contra esse governo que aí está:

"...algo de muito importante está acontecendo na sociedade brasileira, que é muito fácil de definir: um enorme contingente de brasileiros e brasileiras estão procurando um partido político que tenha a sua plataforma muito clara, que não fique surfando nas águas das alianças fáceis e dos conchavos interesseiros. Este contingente não está nem aí para vencer ou perder eleições. Quer ver, antes de tudo, os seus valores defendidos com unhas e dentes, sem concessões. O partido político que tiver sensibilidade para "ler" o que está acontecendo no Brasil e começar um movimento organizado que incentive a base poderá ser premiado, muito antes do que imagina., com estrondosas vitórias nas eleições de 2012.  O que estamos vendo, hoje, é que existe um eleitorado de oposição no Brasil que, mesmo com alta capacidade de mobilização e ativação política, está completamente abandonado e só é convocado para virar  tropa de choque em época de eleições. Este eleitor quer ser mais do que isto. Quer e pode." (íntegra aqui).

Depois dessa colocação, que deixa clara, a meu ver, a nossa sensação de abandono,  nossa frustração por não sermos representados, pouco resta a dizer. 

Fica a questão: algum partido político se habilita?

Novo abaixo-assinado, muito além da CPMF

Mais uma vez, a Jurema (Casa da Mãe Joana) foi extremamente feliz.

Divulga a existência de mais um abaixo-assinado contra a CPMF (eles se recusam a entender que não aceitaremos mais impostos): Manifesto Popular contra a volta da CPMF ou Tributo Similar e esclarece: não se trata, apenas, de reafirmar que não aguentamos mais pagar impostos. 

"É muito mais do que isso.  É a forma de mostrar ao governo PTista que NÃO FARÃO TUDO O QUE QUISEREM, independente da nossa vontade . Vamos provar que  O POVO NÃO SERÁ UM CORDEIRINHO, UMA FIGURA INERTE."

Assim, quem ainda não assinou, aproveite e assine aqui.

E.T.: Ao que tudo indica, continuaremos sem oposição. 
Quem deveria estar encabeçando esse movimento - com muito mais estrutura e meios  - são os chamados partidos de oposição. 
À essa altura, já deviam estar organizando passeata nas ruas de todos os estados brasileiros. 
Claro, se dependermos deles, estaremos fritos. Façamos nossa parte. 
Quem sabe, antes de 2012 tenhamos a felicidade de ver surgir um partido forte, de oposição real.